segunda-feira, 14 de novembro de 2011

"Quero voltar a Macapá para passear no Amazonas", diz a craque Marta

Em visita ao Amapá, a convite da amiga e também jogadora Aline Calandrine, a atacante Marta recebeu a equipe do Diário do Amapá para um bate papo que durou pouco mais de 15 minutos. Tempo suficiente para passear pela história dessa brilhante jogadora que mesmo contra a vontade dos irmãos seguiu seu o coração e chegou onde sempre quis, trazendo com ela o futebol feminino e uma legião de admiradores conquistados com seu talento, simpatia e simplicidade. Os principais trechos da entrevista concedida ao jornalista Jailson Santos você acompanha a seguir.

Diário do Amapá - Marta, como foi o seu começo no futebol?

Marta Silva -
O meu começo não foi muito diferente do começo de muitas meninas que querem seguir essa carreira de jogadora de futebol. Eu jogava com os meninos na rua mesmo, quando eu tinha os meus sete, oito anos. Aí eu fui pegando gosto pela coisa, percebi que levava jeito e fui criando na minha cabeça o sonho de me tornar uma atleta profissional.

Diário - Nesse tempo, ainda tão jovem, você já pensava em fazer carreira no futebol?

Marta -
Eu sou de família humilde, família pobre. Com a minha mãe a maioria do tempo trabalhando, era eu quem cuidava de mim. E isso aumentava a minha vontade de me tornar uma atleta profissional e passar a ter uma vida financeira melhor para também poder ajudar a minha família.

Diário - Lá em Alagoas você já era uma criança famosa por causa da habilidade no futebol?

Marta -
Até os 12 anos eu jogava com os meninos e eu praticamente joguei em todos os clubes da região. Quando tinha jogo eles iam me buscar. Eu sou de Dois Riachos, cidade que fica a 186 quilômetros da capital, uma cidade muito pequena, todo mundo me conhecia. Então quando tinha jogos na região, do feminino ou do masculino... "chama a Marta!".

Diário - E como você foi parar no Rio de Janeiro, no feminino do Vasco da Gama?

Marta -
Joguei durante dois anos a Copa AABB de futsal, disputada em Santana do Ipanema, que fica a 18 quilômetros de Dois Riachos, eu jogava com os meninos e só tinha eu de mulher. E graças a esse torneio foi que surgiu a oportunidade de ir para o Rio de Janeiro, fazer testes para o time feminino do Vasco.

Diário - Mas você era muito nova e o time do Vasco tinha jogadoras de seleção, como você encarou?

Marta -
A maioria das meninas era da Seleção brasileira, fui para o Rio com 14 anos, fiz o teste, passei e a partir daí fiquei morando no Rio. E jogando pelo Vasco eu tinha uma visibilidade maior. Eu já sabia que jogando no Rio de Janeiro as chances de eu ir para a Seleção eram muito maiores do que ficar em Alagoas.

Diário - Então você, com apenas 14 anos já pensava em fazer parte da Seleção brasileira?

Marta -
A partir do momento que eu cheguei no Vasco, eu já pensava em um dia jogar na Seleção brasileira.

Diário - Mas você não é filha única. E os seus irmãos te incentivaram muito... você chegou a aprender truques com algum deles?

Marta -
Na verdade eles não gostavam muito dessa idéia de me ver jogando futebol. E eles tentaram me impedir de todas as formas. Eu comecei jogando mesmo foi com meus primos, um deles na verdade não teve oportunidade de fazer carreira no futebol, mas jogava muito. Então eu acompanhava os jogos deles, e até ficava de gandula só para dar uns toques na bola e foi assim minha infância toda.

Diário - Marta me conta como foi a primeira convocação para a Seleção brasileira?

Marta -
A primeira convocação foi para a seleção sub-19, eu só tinha 15 anos e já era titular do time. Eu cheguei lá, e eles estavam montando uma equipe para disputar o mundial. O Vasco tinha duas equipes, uma sub 19 e outra adulta. E o time adulto tinha Pretinha, Roseli... era só craque mesmo. E foi realizado uma espécie de seletiva, eu joguei esse brasileiro pelo Vasco, fui artilheira, revelação do torneio e fui parar na seleção sub-19.


Vida

A jogadora de futebol Marta Vieira da Silva, é natural de Dois Riachos, em Alagoas, mede 1,62m, calça chuteiras número 38 e tem uma marca que ninguém no mundo do futebol conseguiu até hoje: cinco vezes seguidas eleita a melhor do mundo. Neste ano de 2011 pode receber o título pela sexta vez. Atualmente joga do Santos Futebol Clube, em São Paulo, e é capitã da Seleção brasileira de futebol feminino, aliás, mais que isso, é a principal estrela da companhia. Este ano não foi aos Jogos Pan-Americanos, em Guadalarara, no México, pois tinha acabado uma temporada nos Estados Unidos e também recuperava-se de uma contusão na virilha. Veio a Macapá esta semana na companhia da amiga e colega de seleção Aline Calandrini, ocasião em que prestigiou um empreendimento comercial da família da zagueira amapaense.

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