Publicado em 24 de fevereiro de 2026 por Tribuna da Internet - rio de janeiro
Vicente Limongi Netto
Um parecer técnico-econômico da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) detalha os impactos das propostas de lei que buscam reduzir as cargas horárias, textos que acabariam com a jornada de trabalho 6×1 no Brasil.
O estudo detalha os prejuízos que o país enfrentará se a jornada semanal for reduzida para um máximo nacional de 36 horas sem que os salários sejam diminuídos. A análise foi divulgada em evento em Brasília, nesta segunda-feira.
DEBATE TÉCNICO – O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, alerta: “O setor de comércio é um dos maiores empregadores do país, com mais de 10 milhões de trabalhadores formais. Atualmente, 93% desses trabalhadores cumprem jornadas acima de 40 horas semanais, o que os coloca no centro dessa mudança. Esse debate e a avaliação dos projetos de lei devem ser técnicos antes de serem políticos, pois vão mudar o rumo da economia do Brasil.”
Segundo o estudo feito pela Gerência Executiva de Análise, Desenvolvimento Econômico e Estatístico, para que as lojas e estabelecimentos comerciais e de turismo se adaptassem ao novo limite de horas de trabalho, o gasto extra seria de R$ 122,4 bilhões por ano.
EFEITO ARRASADOR – Esse valor seria necessário para que as empresas contratassem novos funcionários ou pagassem ajustes para manter o atendimento ao público funcionando com o quadro pessoal que existe hoje.
O mesmo aconteceria no setor de serviços, com o chamado “custo de adequação” chegando a R$ 235,7 bilhões. A somatória do impacto para estes setores na economia brasileira seria de R$ 358,1 bilhões.
A análise também calcula como esse aumento de gastos fatalmente será repassado ao consumidor. Segundo os modelos matemáticos da pesquisa, esse choque de 21% nos custos com funcionários causaria um aumento médio de 13% nos preços de serviços e dos produtos nas prateleiras.
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